Vanraz – Um Criador de Histórias

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A vida é um doido correndo. Vanraz

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a vida é um doido correndo2

Frase e Poesia de Cecilia Meireles

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Pus-me a cantar minha pena com uma palavra tão doce, de maneira tão serena, que até Deus pensou que fosse felicidade – e não pena.

Anjos de lira dourada debruçaram-se da altura. Não houve, no chão, criatura de que eu não fosse invejada, pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia, fiz suspirarem defuntos. Um arco-íris de alegria da minha boca se ergue apondo o sonho e a vida juntos.

O mistério do meu canto, Deus não soube, tu não viste.

Prodígio imenso do pranto: – todos perdidos de encanto, só eu morrendo de triste! Por assim tão docemente meu mal transformar em verso, oxalá Deus não o ausente, para trazer o Universo de pólo a pólo contente!

MEDO DA ETERNIDADE

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Medo da Eternidade – Clarice Lispector

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.

Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

– Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.

– Não acaba nunca, e pronto.

– Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.

– Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

– E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.

– Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

– Perder a eternidade? Nunca.

O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

– Acabou-se o docinho. E agora?

– Agora mastigue para sempre.

Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.

Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.

Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

– Olha só o que me aconteceu! – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. – Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

– Já lhe disse – repetiu minha irmã – que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.

Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

Clarice Lispector: , , ,

CARTINHA PARA PAPAI NOEL

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CARTINHA PARA PAPAI NOEL

Eduarda foi aos Correios com sua mãe para pegar uma cartinha de criança carente e ficou admirada com a funcionária. “Moça, o que é que você está fazendo?” “Estou selando e carimbando os envelopes.” “Por quê?” “Porque os cartões de Natal vão de avião e, pelo carimbo, o funcionário dos Correios saberá de onde eles vieram e se foram pagos.” “Moça, cartão não vai de avião, não.” “Vai, sim, menina bonita.” “Não vai; eles vão de… De… De….” Sua mãe tentou ajudá-la. “Dudinha, os cartões vão de carro?” “Não, mamãe.” “Vão de ônibus?” “Também, não.” “Será que vão de trem de ferro, minha filha?” “Nããããããão, mamãe. Eles vão de homem.”
Anna Célia
Publicado no Recanto das Letras em 23/12/2010
Código do texto: T2688616

 

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Anna Célia Dias Curtinhas _ http://annacelia.multiply.com/). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

O REI ESTÁ NU

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De Hans Christian Andersen

 “Era uma vez um rei, tão exageradamente amigo de roupas novas, que nelas gastava todo o seu dinheiro. Ele não se preocupava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pela floresta, a não ser para exibir roupas novas. Para cada hora do dia, tinha uma roupa diferente. Em vez de o povo dizer, como de costume, com relação a outro rei: “Ele está em seu gabinete de trabalho”, dizia “Ele está no seu quarto de vestir”. A vida era muito divertida na cidade onde ele vivia. Um dia, chegaram hóspedes estrangeiros ao palácio. Entre eles havia dois trapaceiros. Apresentaram-se como tecelões e gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo. Não só os padrões e as cores eram fora do comum, como, também as fazendas tinham a especialidade de parecer invisíveis às pessoas destituídas de inteligência, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam. “Essas fazendas devem ser esplêndidas, pensou o rei. Usando-as poderei descobrir quais os homens, no meu reino, que não estão em condições de ocupar seus postos, e poderei substituí-los pelos mais capazes… Ordenarei, então, que fabriquem certa quantidade deste tecido para mim.” Pagou aos dois tecelões uma grande quantia, adiantadamente, para que logo começassem a trabalhar. Eles trouxeram dois teares nos quais fingiram tecer, mas nada havia em suas lançadeiras. Exigiram que lhes fosse dada uma porção da mais cara linha de seda e ouro, que puseram imediatamente em suas bolsas, enquanto fingiam trabalhar nos teares vazios. – Eu gostaria de saber como vai indo o trabalho dos tecelões, pensou o rei. Entretanto, sentiu-se um pouco embaraçado ao pensar que quem fosse estúpido, ou não tivesse capacidade para ocupar seu posto, não seria capaz de ver o tecido. Ele não tinha propriamente dúvidas a seu respeito, mas achou melhor mandar alguém primeiro, para ver o andamento do trabalho. Todos na cidade conheciam o maravilhoso poder do tecido e cada qual estava mais ansioso para saber quão estúpido era o seu vizinho. – Mandarei meu velho ministro observar o trabalho dos tecelões. Ele, melhor do que ninguém, poderá ver o tecido, pois é um homem inteligente e que desempenha suas funções com o máximo da perfeição, resolveu o rei. Assim sendo, mandou o velho ministro ao quarto onde os dois embusteiros simulavam trabalhar nos teares vazios. – “Deus nos acuda!!!” pensou o velho ministro, abrindo bem os olhos. “Não consigo ver nada!” Não obstante, teve o cuidado de não declarar isso em voz alta. Os tecelões o convidaram para aproximar-se a fim de verificar se o tecido estava ficando bonito e apontavam para os teares. O pobre homem fixou a vista o mais que pode, mas não conseguiu ver coisa alguma. – “Céus!, pensou ele. Será possível que eu seja um tolo? Se é assim, ninguém deverá sabê-lo e não direi a quem quer que seja que não vi o tecido.” – O senhor nada disse sobre a fazenda, queixou-se um dos tecelões. – Oh, é muito bonita. É encantadora!! Respondeu o ministro, olhando através de seus óculos. O padrão é lindo e as cores estão muito bem combinadas. Direi ao rei que me agradou muito. – Estamos encantados com a sua opinião, responderam os dois ao mesmo tempo e descreveram as cores e o padrão especial da fazenda. O velho ministro prestou muita atenção a tudo o que diziam, para poder reproduzi-lo diante do rei. Os embusteiros pediram mais dinheiro, mais seda e ouro para prosseguir o trabalho. Puseram tudo em suas bolsas. Nem um fiapo foi posto nos teares, e continuaram fingindo que teciam. Algum tempo depois, o rei enviou outro fiel oficial para olhar o andamento do trabalho e saber se ficaria pronto em breve. A mesma coisa lhe aconteceu: olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios. – Não é lindo o tecido? Indagaram os tecelões, e deram-lhe as mais variadas explicações sobre o padrão e as cores. “Eu penso que não sou um tolo, refletiu o homem. Se assim fosse, eu não estaria à altura do cargo que ocupo. Que coisa estranha!!”… Pôs-se então a elogiar as cores e o desenho do tecido e, depois, disse ao rei: “É uma verdadeira maravilha!!” Todos na cidade não falavam noutra coisa senão nessa esplendida fazenda, de modo que o rei, muito curioso, resolveu vê-la, enquanto ainda estava nos teares. Acompanhado por um grupo de cortesões, entre os quais se achavam os dois que já tinham ido ver o imaginário tecido, foi ele visitar os dois astuciosos impostores. Eles estavam trabalhando mais do que nunca, nos teares vazios. – É magnífico! Disseram os dois altos funcionários do rei. Veja Majestade, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores! Apontavam para os teares vazios com receio de que os outros não estivessem vendo o tecido. O rei, que nada via, horrorizado pensou: “Serei eu um tolo e não estarei em condições de ser rei? Nada pior do que isso poderia acontecer-me!” Então, bem alto, declarou: – Que beleza! Realmente merece minha aprovação!! Por nada neste mundo ele confessaria que não tinha visto coisa nenhuma. Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiram ver a fazenda, mas exclamaram a uma só voz: – Deslumbrante!! Magnífico!! Aconselharam eles ao rei que usasse a nova roupa, feita daquele tecido, por ocasião de um desfile, que se ia realizar daí a alguns dias. O rei concedeu a cada um dos tecelões uma condecoração de cavaleiro, para seu usada na lapela, com o título “cavaleiro tecelão”. Na noite que precedeu o desfile, os embusteiros fiizeram serão. Queimaram dezesseis velas para que todos vissem o quanto estavam trabalhando, para aprontar a roupa. Fingiram tirar o tecido dos teares, cortaram a roupa no ar, com um par de tesouras enormes e coseram-na com agulhas sem linha. Afinal, disseram: – Agora, a roupa do rei está pronta. Sua Majestade, acompanhado dos cortesões, veio vestir a nova roupa. Os tecelões fingiam segurar alguma coisa e diziam: “aqui está a calça, aqui está o casaco, e aqui o manto. Estão leves como uma teia de aranha. Pode parecer a alguém que não há nada cobrindo a pessoa, mas aí é que está a beleza da fazenda”. – Sim! Concordaram todos, embora nada estivessem vendo. – Poderia Vossa Majestade tirar a roupa? propuseram os embusteiros. Assim poderiamos vestir-lhe a nova, aqui, em frente ao espelho. O rei fez-lhes a vontade e eles fingiram vestir-lhe peça por peça. Sua majestade virava-se para lá e para cá, olhando-se no espelho e vendo sempre a mesma imagem, de seu corpo nu. – Como lhe assentou bem o novo traje! Que lindas cores! Que bonito desenho! Diziam todos com medo de perderem seus postos se admitissem que não viam nada. O mestre de cerimônias anunciou: – A carruagem está esperando à porta, para conduzir Sua Majestade, durante o desfile. – Estou quase pronto, respondeu ele. Mais uma vez, virou-se em frente ao espelho, numa atitude de quem está mesmo apreciando alguma coisa. Os camareiros que iam segurar a cauda, inclinaram-se, como se fossem levantá-la do chão e foram caminhando, com as mãos no ar, sem dar a perceber que não estavam vendo roupa alguma. O rei caminhou à frente da carruagem, durante o desfile. O povo, nas calçadas e nas janelas, não querendo passar por tolo, exclamava: – Que linda é a nova roupa do rei! Que belo manto! Que perfeição de tecido! Nenhuma roupa do rei obtivera antes tamanho sucesso! Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou: – Coitado!!! Ele está completamente nu!! O rei está nu!! O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar: – Ele está nu! Ele está nu! O rei, ao ouvir esses comentários, ficou furioso por estar representando um papel tão ridículo! O desfile, entretanto, devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os camareiros continuaram a segurar-lhe a cauda invisível. Depois que tudo terminou, ele voltou ao palácio, de onde envergonhado, nunca mais pretendia sair. Somente depois de muito tempo, com o carinho e afeto demonstrado por seus cortesões e por todo o povo, também envergonhados por se deixarem enganar pelos falsos tecelões, e que clamavam pela volta do rei, é que ele resolveu se mostrar em breve aparições… Mas nunca mais se deixou levar pela vaidade e perdeu para sempre a mania de trocar de roupas a todo momento. Quanto aos dois supostos tecelões, desapareceram misteriosamente, levando o dinheiro e os fios de seda e ouro. Mas, depois de algum tempo, chegou a notícia na corte, de que eles haviam tentando fazer o mesmo golpe em outro reino e haviam sido desmascarados, e agora cumpriam uma longa pena na prisão.

UM SAPATO MAIS DO QUE SUSPEITO

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Pedro Peinha estava no maior amasso com Teresa de Lindu dentro do fusquinha quando o celular tocou. Ao atender a ligação, uma voz estridente gritou do outro lado:

– Pedro, tu esqueceu o casamento, foi? Vem embora traste ruim!

– Eu já to indo, tchau!

            Pedro desligou o telefone e desabafou com Tereza:

– Puta que pariu! Eu esqueci o diabo do casamento!

– Que casamento, Pedro?

– É o diabo do casamento de uma prima da tia da vizinha da minha sogra. A velha tem me atazanado o juízo faz mais de mês! Ela quer porque quer ir a esse casamento. Eu vou ter que ir, meu docinho!

– Por que você tem que ir?

– O fusca é da velha, esqueceu?

– Num vai agora, não!

            Teresa disse essas palavras mordendo o beicinho e arriando a alçinha do vestido.

            Tomado subitamente por um desejo incontrolável, Pedro Peinha se atirou nos braços de Teresa e mandou ver ali mesmo dentro do fusquinha.

            Depois de meia hora, Pedro, arriado no banco do fusca dava seus últimos tragos num cigarro de palha quando o telefone voltou a tocar. De um susto, Pedro gritou:

– Puta que pariu é a velha de novo! Tchau Tequinha! Vamos embora, depressa!

– Calma, Pedro. Deixe-me vestir a roupa.

– Rápido meu docinho! É capaz da velha vir me procurar!

– Ó Pedro! Espera!

– Tenho que levar a velha, se não ela toma o fusca, meu bem!

            Teresa fez uma carinha sapeca, mas obedeceu; saiu do fusca e seguiu em direção a sua casa.

            Pedro espremeu o fusca na estrada, fez mais barulho do que aumentar a velocidade, mas chegou em quinze minutos a casa da sogra. Coincidentemente, essa também era a casa de Pedro.

Pedro desligou o carro a mais de duzentos metros da casa e deixou ele vir na banguela. Freou quase na porta da casa, pulou o muro e entrou pelos fundos, correu até o banheiro e em menos de dez minutos estava devidamente pronto e perfumado para a festa. Passou pela sala onde a família se encontrava e falou:

– Eu vou correndo na frente esquentar o fusquinha enquanto vocês terminam de se arrumar.

            Pedro passou feito uma bala sem dá tempo de ouvir qualquer reclamação. Chegando ao fusca ligou e ainda deu umas três buzinadas apressando o povo.

            A sogra de Pedro foi a primeira a entrar. Ela levantou o banco do carona e foi entrando para ficar atrás de Pedro. Nem sentou direito e já foi reclamando:

– Isso é hora de ir pra casamento!

Pedro respondeu:

– Homi, sente aí e num reclame, não!

– E esse cheiro de perfume de rapariga no meu carro?

– A senhora já vem com suas acusações sem provas!

– Hummmm

            Entraram depois as duas cunhadas de Pedro com seus respectivos filhos e por último entraram Carminha, mulher de Pedro, com o filho Pedrinho. Carminha não esqueceu a demora de Pedro e perguntou:

            – Onde tu tava, Pedro?

            – Resolvendo uma bronca!

            A sogra se intrometeu e falou:

– Tu vai acreditar nisso, Carminha?

            Pedro rebateu imediatamente:

– Dona Gildete, pelo amor de Deus, não venha envenenar a conversa! Eu tive um dia cheio, trabalhei feito um felá da puta!

A velha se calou mais fez um barulho gutural:

– Hummmm!

– O quebra-molas! Gritou Carmem. Em seguida se ouviu um barulho infernal de gritos de crianças e cabeçadas no teto do fusca. A sogra reclamou:

– Presta atenção traste ruim! Tá pensando que ta carregando boi, é, infiliz?

– Parem de encher minha paciência, gritou Pedro

            Num momento seguinte Pedro sentiu algo tocar seu pé e obstruir o pedal do freio. Ele levou a mão até o piso do carro e tocou em algo. De repente ele ficou estático. Pelas formas era um sapato feminino. Pensou: é o sapato de Teresa! Tô ferrado! Se Carminha descobrir esse sapato eu tô fudido!

            Pedro precisava se livrar do sapato urgentemente, então ele se aproveitou da distração do pessoal e atirou o sapato pela janela do fusca.

            Chegando à igreja, todos desceram do carro menos a sogra. Pedro se apressou em ir na frente para guardar um lugar na igreja. De longe, ele avistava uma confusão de gente entrando e saindo do fusca. Eles procuravam algo. Ele se aproximou e não se conteve, deu altas gargalhadas ao ver a sogra subindo e descendo em cima de apenas um dos sapatos e gritando:

– Pedro, procure o meu sapato!!